Câncer de Boca

A boca é o primeiro órgão utilizado no processo de alimentação, ajuda na respiração e é fundamental para o ato da comunicação. Nela encontramos estruturas como os dentes, língua, lábios, gengiva, entre outros. 

 

O câncer de boca, também chamado de câncer da cavidade oral, pode se desenvolver em vários locais como gengivas, língua, soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), palato (céu da boca), e na área atrás dos dentes do siso, chamada de trígono retromolar. Quase metade dos casos ocorre na língua ou nos lábios. 

 

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são previstos 14.700 novos casos de câncer na cavidade oral em 2019, sendo 11.200 em homens.

FATORES DE RISCO


Existem condições ou hábitos de vida que podem aumentar a possibilidade de câncer de boca, pois são comuns entre a maioria dos pacientes já diagnosticados com a doença. Os principais são:

• Tabagismo: a maioria das pessoas com tumores na cavidade oral já foram fumantes em alguma época da vida. Quanto maior o período do uso, maior o risco de desenvolvimento do câncer. Isso também pode acontecer com os fumantes passivos, que, apesar de não fumarem, convivem com quem tem esse hábito e acabam respirando as toxinas presentes no cigarro;

• Bebidas alcoólicas: o consumo excessivo de álcool, combinado com o cigarro, pode aumentar em até seis vezes a chance de desenvolver um câncer oral;

• Higiene bucal inadequada;

• Idade: a maioria dos casos ocorrem após os 60 anos;

• HPV (Papilomavírus Humano): transmitido pelas relações sexuais sem o uso de preservativo, nesse caso, o sexo oral sem o uso de preservativo. É observado principalmente em pacientes mais jovens, muitos não consumidores de tabaco ou de álcool;

• Irritações crônicas da mucosa bucal: dentaduras, pontes e coroas que não estão bem ajustadas;

• Raios solares: a exposição ao sol por um período prolongado e sem proteção, ao longo dos anos, pode contribuir para o desenvolvimento do câncer na região dos lábios;

• Consumo frequente de bebidas muito quentes, acima dos 65º C;

• Alimentação pobre em frutas e vegetais;

• Exposição à radiação, sem os cuidados de um especialista;

•- Uso de medicamentos imunossupressores (pacientes submetidos a transplantes);




SINTOMAS


Os sintomas do câncer de boca podem variar de acordo com o paciente e depende também da localização do tumor. Estar atento ao surgimento de qualquer sinal é fundamental.

Ao perceber uma lesão na boca que não cicatriza, em um prazo máximo de 15 dias, deve-se procurar um profissional de saúde (dentista ou médico para a realização do exame completo da boca). Além disso, algumas feridas na boca podem ser de difícil visualização e somente um médico ou dentista conseguirá identificá-las. Por isso, a visita regular ao dentista é fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de boca.

Alguns dos sintomas são:

• Leucoplasia: caso alguma área na cavidade oral esteja esbranquiçada, parecida com uma afta e persistindo há muito tempo, pode ser uma leucoplasia. O risco de já existir, ou vir a ser diagnosticado futuramente um câncer varia de 1% a 25%;

• Eritroplasia: uma mancha vermelha persistente por muito tempo na cavidade oral, que pode sangrar ao encostar qualquer objeto, pode ser uma eritoplasia, que em mais de 70% dos casos pode ser um câncer;

• Ferida na boca que não cicatriza, após 15 dias;

• Perda inesperada de dentes – ou se amolecerem;

• Nódulo no pescoço;

• Massa ou nódulo na língua, nas gengivas ou no rosto;

• Dificuldade para mexer a língua, mastigar ou engolir alimentos;

• Mau hálito constante;

•- Perda de peso inesperada.

Esses sintomas nem sempre indicam que existe um câncer de boca, mas é preciso consultar um dentista (estomatologista) ou médico especialista em cirurgia de cabeça e pescoço para uma avaliação mais precisa.




DIAGNÓSTICO


O diagnóstico do câncer de boca começa com uma avaliação clínica de um dentista ou médico, mas somente pode ser confirmada por meio da biópsia. Nesse procedimento remove-se parte da área suspeita de câncer para análise microscópica. Esse tipo de exame pode exigir o uso de anestesia local ou geral, a depender da localização do tumor.




ESTADIAMENTO


O estadiamento é a forma de classificação do tumor considerando a sua extensão, local, ou o quanto ele afetou outros órgãos, o que auxilia o médico na definição da melhor conduta terapêutica.

• Estágio Pré-Cancerígeno: Caso o tumor ou ferida esteja na superfície dos lábios ou da cavidade oral, tão rasas que ainda não se tornaram um câncer.

• Estágio Inicial (1-2): Se o tumor medir até 4 centímetros e não tiver se espalhado para os gânglios linfáticos ou outras partes do corpo

• Estágio Avançado (3-4A): Se o tumor medir mais do que 4 centímetros, com metástase para músculos ou ossos profundos; ou, independente do tamanho, se o tumor também estiver nos gânglios linfáticos ou outras partes do corpo.

•Metástase (4B-C): O câncer atingiu tecidos que não podem ser removidos, como a artéria carótida, ou se espalhou para outras partes do corpo




TRATAMENTO


O tratamento do câncer de boca pode ser feito através de cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo ou imunoterapia, dependendo da localização do tumor, estadiamento e estado clínico do paciente.

CIRURGIA: é o principal tratamento para câncer de boca e tem como objetivo remover o tumor com margens de segurança. Dentre os procedimentos cirúrgicos estão:

• Glossectomia: remoção de uma parte ou de toda a língua, quando o câncer está presente neste órgão;

• Mandibulectomia: é feito com a remoção de todo ou parte do osso do queixo, realizada quando o tumor se desenvolve no osso da mandíbula;

• Maxilectomia: quando o câncer se desenvolve no céu da boca, é necessário remover o osso da maxila;

• Esvaziamento cervical: retirada de gânglios linfáticos do pescoço para tratamento de metástases;

• Reconstrução: procedimento cirúrgico em que tecidos sadios são transplantados para reparar áreas de retirada do tumor. Geralmente são realizados estes procedimentos no mesmo ato da ressecção tumoral;

Geralmente, após a cirurgia, é necessário reconstruir a área afetada de forma a manter as suas funções e estética, sendo usado, para isso, músculos ou ossos de outras partes do corpo. Utilizam-se, dependendo do caso, técnicas convencionais ou de microcirurgia.

RADIOTERAPIA: de acordo com o tipo e estadiamento do câncer, utiliza-se uma fonte externa de alta precisão para eliminar células tumorais. Ela também pode ser usada como complemento à cirurgia, acionada depois da remoção cirúrgica.

QUIMIOTERAPIA: se o tumor não pode ser removido ou está em uma área muito sensível, a Quimioterapia associada a radioterapia pode ser uma opção. Também pode complementar o tratamento cirúrgico (em combinação com radioterapia), ao eliminar células cancerígenas que possam ainda ter ficado na região tratada.

Outras opções, mais recentes, são a TERAPIA-ALVO e a IMUNOTERAPIA.

Na terapia-alvo empregam-se drogas que buscam inibir as moléculas específicas que causam o crescimento ou o desenvolvimento das células cancerígenas.

Na Imunoterapia, utilizam-se medicamentos para fortalecer o sistema imunológico do paciente para combater o câncer. Atualmente ela é utilizada somente em casos mais avançados, como metástases.

CUIDADOS PÓS-TRATAMENTO:

A depender do tratamento realizado, alguns pacientes podem apresentar dificuldades para falar, se alimentar ou respirar. O acompanhamento de um fonoaudiólogo e de um fisioterapeuta é extremamente importante nesse processo.

Alguns pacientes podem apresentar alterações de movimentos do pescoço e necessitar fisioterapia por períodos variáveis de tempo.

Além disso, o tratamento de alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço envolve a perda de parte da estrutura óssea do rosto e requer uma intervenção estética. Atualmente há importantes avanços tanto na produção de próteses como nas técnicas de cirurgia plástica que possibilitam ao paciente recuperar sua aparência.





Tipos de Câncer

Para conhecer mais sobre os tipos de câncer da região da cabeça e pescoço, prevenção, fatores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamento, selecione abaixo a opção.

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