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Diretriz europeia destaca multidisciplinaridade e olhar para aspectos psicossociais do paciente

Atualizado: 31 de out. de 2022

Para que os pacientes diagnosticados, tratados e/ou sobreviventes de câncer de cabeça e pescoço possam viver mais e com melhor qualidade a longo prazo é necessário que haja uma abordagem multidisciplinar por parte de equipes assistenciais que considerem os potenciais impactos psicossociais, que são diversos e com diferentes graus de intensidade.

Para tanto, o cuidado deve ser individualizado. É o que aponta o relatório da Sociedade Europeia de Câncer de Cabeça e Pescoço (EHNS), que traz as recomendações para cuidados de sobrevivência. O trabalho European Head and Neck Society recommendations for head and neck cancer survivorship care foi publicado na revista científica Oral Oncology. Multicêntrico, o estudo reúne pesquisadores de instituições da Holanda, Reino Unido, Itália, Alemanha, Polônia, Portugal, Bélgica, Turquia e Suíça.


Os autores contextualizam que os sobreviventes de câncer de cabeça e pescoço podem sofrer consequências a longo prazo do câncer e dos tratamentos subsequentes, mesmo após não haver doença ativa. Segundo eles, cada vez mais os médicos e demais profissionais de saúde envolvidos no cuidado multi e interdisciplinar estão cientes dos impactos sociais, psicológicos, financeiros e emocionais desses cânceres, além do suporte necessário para os sintomas físicos. Esta revisão, então, fornece recomendações sobre o gerenciamento e suporte de longo prazo necessários para sobreviventes de câncer de cabeça e pescoço no cenário europeu de saúde.


Os pacientes com câncer de cabeça e pescoço podem ter consequências a longo prazo devido ao câncer e ao seu tratamento, com desafios específicos relacionados à cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Além disso, esses pacientes têm um risco aumentado de desenvolver cânceres primários secundários (um novo tumor maligno após o primeiro câncer, mas que não se configura recidiva, ou seja, volta da mesma doença).


Os pacientes sobreviventes podem, portanto, ter necessidades contínuas complexas relacionadas às consequências de sua terapia contra o câncer. “Para tanto, é fundamental haver acompanhamento de uma equipe composta por cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista clínico, radio-oncologista, fonoaudiólogo, nutricionista, nutrólogo, psicólogo, enfermeiro, dentre outras especialidades”, comenta o cirurgião de cabeça e pescoço e Professor Doutor Luiz Paulo Kowalski.


O estudo, voltado para médicos de cuidados primários, oncologistas de cuidados secundários e terciários e outros médicos que cuidam de sobreviventes de câncer de cabeça e pescoço (CCP) aborda aspectos de vigilância para recorrência da doença, rastreamento e detecção precoce de segundos cânceres primários, avaliação e manejo dos efeitos físicos e psicossociais a longo prazo e tardios do CCP e seu tratamento, paralisia do nervo acessório espinhal, disfunção do ombro, distonia cervical/espasmos musculares/neuropatias/dor, trismo, disfagia/aspiração/estenose, doença do refluxo gastroesofágico, linfedema, fadiga, alteração ou perda de paladar e olfato; perda auditiva, vertigem, neuropatia vestibular, distúrbio do sono/apneia do sono, fala e voz; vigilância oral e dentária; saúde bucal e cárie; periodontite, xerostomia, osteonecrose, infecções orais/candidíase, corpo e autoimagem; problemas psicossociais e resiliência; dispneia, sexualidade e intimidade; promoção de saúde, peso saudável, atividade física, retorno ao trabalho e toxicidade financeira; nutrição e cessação do tabaco e abuso de substâncias.

Referência do estudo

Verdonck-de Leeuw I, Dawson C, Licitra L, Eriksen JG, Hosal S, Singer S, Laverty DP, Golusinski W, Machczynski P, Varges Gomes A, Girvalaki C, Simon C, Leemans CR. European Head and Neck Society recommendations for head and neck cancer survivorship care. Oral Oncol. 2022 Oct;133:106047.



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