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Reconstrução após cirurgia robótica é favorável, aponta revisão

Um estudo realizado por pesquisadores dos departamentos de Otorrinolaringologia e Cabeça e Pescoço e do Instituto de Economia da Saúde, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, apresenta uma revisão sistemática dos resultados da reconstrução após cirurgia robótica transoral para câncer de cabeça e pescoço. O trabalho Reconstruction following transoral robotic surgery for head and neck cancer: Systematic review, publicado na revista científica Journal of the Sciences and Specialties of the Head & Neck, mostra que os resultados cirúrgicos com a reconstrução cirúrgica são favoráveis aos pacientes operados por meio da modalidade TORS, cirurgia robótica transoral (com acesso pela boca).


Nesta avaliação, os autores se basearam nas bases de dados PubMed, SCOPUS e EMBASE, pelas quais identificaram estudos descrevendo pacientes submetidos à reconstrução após defeitos pós-cirúrgicos com TORS. Ao todo, 26 estudos preencheram os critérios de inclusão, consistindo em 260 pacientes submetidos à ressecção TORS, seguida de reconstrução.


Desse total, 21 estudos relataram informações de classificação do tumor, com TORS realizado, na maioria dos casos (68%) em tumores iniciais (T1 e T2). Ao todo, participaram 44 (23,0%) paciente com tumores T1, 86 (45,0%) T2, 33 (17,3%) T3 e 28 (14,7%) T4. Na metodologia dos estudos avaliados, foram descritas dezoito modalidades reconstrutivas distintas, incluindo nove de retalhos livres.


A reconstrução mais realizada foi o retalho livre do antebraço radial (RFFF), responsável por 121 de 260 (46,5%) reconstruções realizadas. As complicações cirúrgicas relatadas incluíram cinco fístulas faringocutâneas, treze complicações hemorrágicas, 24 complicações infecciosas e cinco falhas de retalhos livres. Segundo os pesquisadores, esses achados demonstram resultados cirúrgicos favoráveis, mas são dados que não permitem comparar de forma conclusiva as opções reconstrutivas após TORS, ou seja, não é ainda possível apontar qual técnica de retalho é mais eficaz.


O Professor Doutor Luiz Paulo Kowalski, cirurgião de cabeça e pescoço, explica que a reconstrução é uma modalidade fundamental no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. “Se foi preciso remover grandes extensões de mucosa faríngea, por exemplo, é possível usar rotação de retalho local, regional ou microcirúrgico para reconstruir o local. Esse procedimento é obrigatório caso se resseque a mandíbula, mais que metade da base da língua, por exemplo”, ilustra.


A cirurgia de reconstrução envolve o trabalho de uma equipe multidisciplinar, incluindo cirurgião plástico, e tem como objetivo não somente restaurar a aparência do paciente, mas também funções que possam ter sido afetadas durante a cirurgia inicial, como a fala ou mesmo a deglutição (ato de engolir os alimentos).



Referência do estudo


Barrette LX, De Ravin E, Carey RM, Mady LJ, Cannady SB, Brody RM. Reconstruction following transoral robotic surgery for head and neck cancer: Systematic review. Head Neck. 2022 May;44(5):1246-1254.


Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26998