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Atuação multiprofissional é fundamental para reduzir sequelas do tratamento de câncer de tireoide

Um amplo estudo com amostra de 54.443 pacientes que se submeteram a cirurgias de tireoide (tireoidectomia) e pescoço (esvaziamento cervical) mostra que o risco de lesão foi maior em pacientes que se submeteram a tireoidectomia com esvaziamento cervical, ao esvaziamento cervical isoladamente, assim como os pacientes com diagnóstico de câncer. Neste grupo, a ocorrência de transfusão de sangue foi de 2,82% versus 0,17%, assim como foi maior o risco de fístula quilosa no pós-operatório (3,10% vs. 0,03%), necessidade de readmissão (28,90% vs. 3,59%) e mortalidade pós-operatória (0,87% vs. 0,06%).





Os dados são do estudo Prevalence of major structures injury in thyroid and neck surgeries: a national perspective, publicado na revista científica Gland Surgery por pesquisadores da Universidade de Iowa, Escola Médica de Harvard, Hospital Geral de Massachusetts e da Escola Médica da Universidade Tulane, nos Estados Unidos.


Outro dado que alerta para a necessidade de maior atenção a este grupo de pacientes é o fato de o tempo médio de permanência no hospital ter sido de 4,86 dias enquanto, para os demais, o tempo médio de internação foi cerca de oito vezes menor (0,48 dias). “Essas complicações são mais frequentes em pacientes com câncer pelo fato deles serem, mais comumente, submetidos a cirurgias mais extensas e de maior risco. A técnica cirúrgica apurada e a experiência do cirurgião reduzem, significativamente, esses riscos”, destaca nosso cirurgião de cabeça e pescoço e Professor Droutor Luiz Paulo Kowalski.


Menor risco nas mãos certas


Em sua análise, Dr. Kowalski ressalta que o estudo tem o mérito de reforçar a importância dos pacientes com doenças tireoidianas, principalmente câncer, serem tratados por cirurgiões experientes e em centros de excelência. “Há uma significativa redução nos riscos de complicações quando os pacientes são operados nessas condições ideais. Isso proporciona melhor qualidade de vida e exponencial redução dos custos do tratamento para o sistema de saúde”, avalia.


Dr. Luiz Paulo Kowalski explica que para qualquer procedimento cirúrgico existem numerosas preocupações por parte de toda a equipe para reduzir os riscos relacionados a anestesia e cirurgia. Em tireoidectomias, existem as particularidades relacionadas a proteção dos nervos que provocam os movimentos das cordas vocais, em relação as paratireoides e outras estruturas adjacentes como traqueia, esôfago e grandes vasos do pescoço. “Conhecer bem a anatomia e ter experiência cirúrgica específica na área reduz significativamente o risco de complicações”, destalha. O especialista acrescenta que a tireoidectomia é uma cirurgia frequentemente realizada, e em mãos experientes é bastante segura. Segundo Dr. Kowalski, complicações associadas podem ser inevitáveis em alguns casos devido a extensão da doença, porém, trabalhando em equipes multiprofissionais, pode-se oferecer alternativas de reabilitação para um significativo número de pacientes.



Referência do estudo


Al-Qurayshi Z, Sullivan CB, Pagedar N, Randolph G, Kandil E. Prevalence of major structures injury in thyroid and neck surgeries: a national perspective. Gland Surg. 2020 Dec;9(6):1924-1932. doi: 10.21037/gs-20-369.


Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7804541/pdf/gs-09-06-1924.pdf