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Câncer de cabeça e pescoço no Brasil: o que os números revelam

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

O câncer de cabeça e pescoço, em grande parte dos casos poderia ser evitado, além de ter potencial para ser diagnosticado de forma precoce. Porém, a prevenção ainda não alcança de forma efetiva toda a população.


números do câncer de cabeça e pescoço

O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026–2028, segundos estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em fevereiro deste ano, representando um crescimento que gira em torno de 10%, se comparado a estimativa do triênio anterior. Falando especificamente dos cânceres de cabeça e pescoço, esse cenário se torna ainda mais claro.


A preocupação não está apenas nos índices de crescimento, mas também na natureza desses números, que não muda, revelando problemas antigos ainda como falta de informação, negligência com a prevenção e limitações de acesso à saúde.


Falando especificamente dos cânceres de cabeça e pescoço, esse cenário se torna ainda mais claro. São tumores que acometem a cavidade oral, laringe e faringe, regiões diretamente expostas a fatores de risco conhecidos e amplamente evitáveis. Mas existem outros cujos fatores de risco são pouco conhecidos, como o de glândulas salivares e de tireoide. Ainda assim, os números seguem evoluindo: mais de 17 mil novos casos de câncer de cavidade oral por ano, mais de 8 mil de laringe, mais de 16 mil de tireoide.


Não se trata de desconhecimento científico. A relação do câncer das mucosas de cabeça e pescoço com o tabagismo, consumo de álcool, infecção pelo HPV e a exposição solar está estabelecida há muito tempo, mas isso não mudou o cenário.

Sim, existe também a relação do aumento dos índices com o envelhecimento populacional e a melhora nos métodos diagnósticos, mas isso não explica por que continuamos diagnosticando grande parte dos tumores de cabeça e pescoço em estágios avançados, quando os protocolos de tratamento são mais complexos e resultam em maior impacto na qualidade de vida do paciente.


Há um desafio maior que envolve o acesso ao sistema de saúde. Na prática clínica, o que vemos com frequência é um percurso longo e fragmentado até o diagnóstico.


O paciente percebe um sintoma inicial, por exemplo uma ferida na boca que não cicatriza, uma rouquidão persistente, uma dificuldade para engolir, mas esse sinal é, muitas vezes, subestimado. Quando vem a decisão de procurar atendimento, a pessoa esbarra na demora para conseguir uma consulta, dificuldade de acesso a especialistas, limitação na realização de exames diagnósticos, o que impacta em um intervalo prolongado até o início do tratamento. E tempo em oncologia faz a diferença.


O resultado é que uma parcela significativa dos casos chega ao especialista em fases mais avançadas da doença. E isso muda completamente o desfecho. Não apenas em termos de sobrevida, mas também no impacto funcional e social. Tumores de cabeça e pescoço afetam diretamente funções essenciais como fala, deglutição e respiração e que podem deixar marcas físicas e emocionais.


O câncer de cabeça e pescoço, em grande parte dos casos poderia ser evitado, além de ter potencial para ser diagnosticado de forma precoce. Porém, a prevenção ainda não alcança de forma efetiva toda a população. O controle do tabagismo avançou, mas ainda está longe de ser resolvido. O consumo de álcool segue elevado. A vacinação contra o HPV, que poderia impactar diretamente a incidência de tumores de orofaringe, ainda enfrenta desafios de cobertura. E, paralelamente, o sistema de saúde não consegue garantir, de forma equitativa, o acesso rápido ao diagnóstico e ao tratamento.


Por isso, é preciso ampliar a forma como enxergamos o cenário. É necessário estruturar uma linha de cuidado que funcione, do primeiro sinal ao início do tratamento sem rupturas e atrasos. A informação de qualidade precisa chegar às pessoas de forma clara, acessível e contínua para que os sintomas persistentes não sejam mais ignorados, para que a prevenção primária e secundária seja efetiva.


E essa é uma responsabilidade que precisa ser compartilhada entre profissionais de saúde, gestores e a própria sociedade.


 

Prof. Dr. Luiz Paulo Kowalski

Cirurgião de cabeça e pescoço

 


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