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Câncer de lábio, cavidade oral e de faringe: interpretação clínica de um estudo global

  • há 24 horas
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O estudo também evidencia um desafio persistente que é o diagnóstico tardio do câncer de lábio, cavidade oral e de faringe. A demora na detecção, reduz as chances de sucesso no tratamento e eleva a possibilidade de sequelas e complicações posteriores.


Dr. Luiz Paulo Kowalski


Estudo internacional "Global incidence of lip, oral cavity, and pharyngeal cancers by subsite in 2022", publicado recentemente, analisou a incidência do câncer de lábio, cavidade oral e faringe em 185 países no ano de 2022.


Realizado por especialistas da International Agency for Research on Cancer (IARC) e profissionais de outros grandes centros, o estudo utilizou como base os dados do GLOBOCAN, principal observatório que reúne os números de incidência e mortalidade do câncer pelo mundo. Foram registrados aproximadamente 758 mil novos casos dessas neoplasias em todo o mundo nesse período, um número expressivo que reforça esse cenário como um problema de saúde pública global.


Um dos pontos mais importantes desse levantamento é a distribuição dos casos entre os diferentes subtipos. O câncer de cavidade oral aparece como o mais frequente, representando cerca de 42% dos diagnósticos. Em seguida, destacam-se os tumores de orofaringe (19,3%), nasofaringe (15,9%), hipofaringe (11,4%), glândulas salivares (7,3%) e lábio (4,2%). Essa divisão não é apenas estatística, ela tem implicações diretas na forma como pensamos prevenção, diagnóstico e tratamento.


Do ponto de vista clínico, é fundamental reconhecer que esses tumores não compartilham os mesmos fatores de risco. O câncer da cavidade oral, o mais prevalente no estudo, está mais relacionado ao consumo de bebidas alcoólicas e ao tabagismo. Já os fatores virais, como o Vírus Epstein–Barr (EBV), um herpesvírus humano que é a principal causa da mononucleose infecciosa, se correlaciona mais aos tumores de nasofaringe.


A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), por sua vez, mostra uma mudança do perfil epidemiológico com o aumento de casos de câncer relacionados ao HPV em todo o mundo, especialmente em países desenvolvidos onde se observa redução relativa de casos ligados ao álcool e ao tabaco. O tumor de orofaringe é o que apresenta maior relação com o HPV, geralmente em pacientes mais jovens e, muitas vezes, sem histórico relevante de tabagismo ou etilismo.


A análise também olhou a variação geográfica da incidência. Regiões do Sul e Sudeste Asiático, em países como Indonésia e Malásia, apresentam taxas mais elevadas, o que reflete, em grande medida, a prevalência de fatores de risco locais, como o consumo de tabaco em diferentes formas.


O cirurgião oncológico especialista em câncer de cabeça e pescoço, Prof. Dr. Luiz Paulo Kowalski, destaca que grande parte dos cânceres de cabeça e pescoço são potencialmente evitáveis. “A cessação do tabagismo e do etilismo e a imunização contra o HPV melhoram consideravelmente a prevenção e são as estratégias mais eficazes para reduzir os índices de novos casos da doença”.


O estudo também evidencia um desafio persistente que é o diagnóstico tardio. A demora na detecção, reduz as chances de sucesso no tratamento e eleva a possibilidade de sequelas e complicações posteriores. Essa dificuldade pode ser decorrente de dois fatores: a falta de entendimento sobre os sintomas da doença e a dificuldade de políticas de rastreamento estruturadas para o câncer de cabeça e pescoço. "O câncer de cabeça e pescoço é uma doença, muitas vezes, silenciosa nas fases iniciais", explica Dr. Kowalski. "Os sinais podem aparecer somente depois de um certo tempo quando a doença já está avançada. Por isso, é importante a prevenção e estar em dia com as consultas médicas e exames de rotina”


Entre os sintomas do câncer de cabeça e pescoço, destacam-se as feridas e nódulos que não cicatrizam; rouquidão persistente; e dificuldades ou dores para engolir e respirar. São sinais de atenção que exigem avaliação médica.


Por fim, o estudo merece destaque por mostrar a heterogeneidade do câncer de cabeça e pescoço. Seja pelas diferenças dos tipos de tumores, pelo impacto distinto em cada região do mundo e pelo momento de transição epidemiológica observada em relação aos fatores de risco, principalmente com o aumento de casos ligados ao HPV. “São aspectos que deixam claro a necessidade da individualização do cuidado e da ampliação de estratégias de saúde pública precisas e adaptadas a cada região e população. Esse estudo nos convida a refletir sobre como traduzir esse conhecimento em prática clínica. Esse é, sem dúvida, um dos principais desafios e uma das maiores oportunidades no cenário mundial do câncer de cabeça e pescoço”, conclui.

 

Referência bibliográfica

Harriet Rumgay, Murielle Colombet, Amanda Ramos da Cunha, Adalberto M Filho, Saman Warnakulasuriya, David I Conway, Anil Chaturvedi, Shama Virani, Beatrice Lauby‐Secretan, Andre L Carvalho, Suzanne T Nethan, Ahmedin Jemal, Freddie Bray. Global incidence of lip, oral cavity, and pharyngeal cancers by subsite in 2022. CA Cancer J Clin. 2025 Dec 3;76(1):10.3322/caac.70048.



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