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Por que as mulheres têm maior risco de ter câncer na tireoide?

O câncer de tireoide é um dos mais comum na região da cabeça e pescoço, com mais de 13 mil novos casos a cada ano no Brasil. E quando se observa os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), há uma disparidade entre os gêneros: são quase 12 mil diagnósticos em mulheres anualmente, enquanto os homens correspondem a pouco mais de 1.800 dos casos confirmados.



Mas afinal, por que há essa diferença tão grande de casos em uma glândula presente em ambos os sexos? Ainda mais em uma doença que não tem uma causa tão direta para sua origem, como por exemplo o cigarro é para o câncer de pulmão.


É importante destacar que ainda não há uma evidência que determine o porquê da maior ocorrência não só do câncer de tireoide, mas de condições como hipotireoidismo e hipertireoidismo entre as mulheres.


No entanto, observa-se que a maioria dos casos de câncer de tireoide entre as mulheres é de um tipo de tumor pouco agressivo chamado carcinoma papilífero, geralmente diagnosticado durante exames de rotina. O carcinoma papilífero é o mais frequente tumor em adultas jovens em idade reprodutiva - entre 18 e 35 anos. Uma causa específica que aumente os casos desse tipo de câncer de tireoide, porém, ainda não está definida. Estudos clínicos e epidemiológicos indicam não haver evidências, por exemplo, de que algum fator reprodutivo contribua para essa incidência.


Já entre os tumores malignos na tireoide mais agressivos, a estatística é outra: não existe essa disparidade no número de casos entre homens e mulheres. Por isso, apesar do câncer de tireoide ser menos comum no gênero masculino, os diagnósticos entre os homens costumam ser desses tumores mais agressivos. Um tipo raro de câncer que ocorre igualmente entre homes e mulheres idosos é o carcinoma anaplásico. Esse tipo de câncer pode crescer rapidamente, obstruir a traqueia e dificultar a respiração, além de ter uma menor taxa de sobrevida.



Quais os fatores de riscos para câncer na tireoide nas mulheres?


Apesar de não haver um fator específico que causa o câncer de tireoide, observa-se alguns pontos em comum entre as mulheres diagnosticadas com a doença:

  • Idade, cerca de 2/3 dos casos ocorrem entre os 20 e 55 anos;

  • Exposição à radiação no pescoço (cerca de 1% dos casos);

  • Síndromes hereditárias: quando mais de uma pessoa na família tem a doença, pode ser que exista uma mutação genética. O câncer de tireoide por síndrome hereditária corresponde a cerca de 10% dos casos;

  • Dieta deficiente em iodo.



Quais os sintomas do câncer de tireoide que mais surgem nas mulheres?


Carcinomas de tireoide são geralmente assintomáticos. Alguns poucos pacientes apresentam tireoidite e podem ter sintomas de hipotireoidismo. Nesses casos os sintomas podem começar a se manifestar lentamente. Um sinal, por exemplo, é a fadiga. Podem ocorrer alterações no cabelo, nas unhas e na pele ou até surgir queixas de dores que podem ser confundidas com causas como estresse, dieta, idade ou outros fatores.


Na correria do dia a dia, com mulheres ocupadas com trabalho, família e outros afazeres pessoais, esses sintomas podem passar despercebidos. Por isso é fundamental se consultar com um médico periodicamente, para que sua saúde seja sempre analisada detalhadamente.


É importante também ficar atento a sinais que podem ser ligados ao câncer de tireoide mais avançado, como:


  • Nódulo no pescoço;

  • Aumento dos gânglios linfáticos ou inchaço no pescoço;

  • Dor na parte da frente do pescoço, que pode chegar até aos ouvidos;

  • Rouquidão;

  • Tosse constante, sem relação com gripe ou resfriado. Em casos mais graves, pode ser com sangue;

  • Dificuldades para engolir alimentos.


Esses sintomas nem sempre significam que existe um câncer na tireoide. A consulta com um médico especialista (endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço) ajudará a obter uma avaliação mais precisa.