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Cresce número de casos de câncer de orofaringe por causa da infecção pelo HPV

Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento do câncer que são de maior conhecimento público. O tabagismo já se sabe que está relacionado aos tumores no pulmão, bexiga e na cabeça e pescoço, por exemplo. Outra causa das doenças oncológicas, a infecção pelo Papilomavírus Humano-HPV, foi associada ao câncer de colo de útero durante a divulgação das campanhas de vacinação contra o HPV. No entanto, ainda existem fatores de riscos para o câncer que não são familiares entre o público geral, como a relação do HPV com desenvolvimento de tumores na orofaringe.



Cresceu nos últimos anos o número de diagnósticos de câncer na orofaringe em adultos jovens, mesmo entre os não fumantes. Esses casos, em sua maioria, são de pessoas infectadas pelo vírus HPV, principalmente em decorrência da prática de sexo oral sem preservativos. Pesquisa apresentada na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) indica que, entre todos os homens que tiveram algum tipo de câncer após a infecção pelo HPV, 81% tiveram a doença na orofaringe. Estudo também aponta que o vírus esteve associado ao desenvolvimento de câncer de pênis entre os homens; de vulva, vagina e colo de útero entre as mulheres; e de ânus e reto em ambos os sexos.


Ainda segundo esse levantamento, a vacinação contra o HPV e o rastreamento da doença ajudaram na redução de casos de câncer de colo de útero entre as mulheres. Porém, os tumores na orofaringe continuaram a aumentar no período, principalmente no sexo masculino.Um dos motivos é o desconhecimento da relação do HPV com o câncer de orofaringe.


Segundo pesquisa publicada na revista European Journal of Public Health, apenas 11% dos entrevistados sabiam da relação entre a doença e seu fator de risco. Esse dado aumenta a importância de campanhas de conscientização para estimular a adesão à vacina contra o HPV, o uso de preservativos durante as relações sexuais - inclusive na oral - e também maior atenção aos sintomas do câncer de cabeça e pescoço. A investigação a partir dos primeiros sinais da doença pode favorecer o diagnóstico precoce, que aumenta as chances de sucesso no tratamento.



O que é o câncer de orofaringe


O câncer de orofaringe surge na região do meio da faringe, atrás da boca, no local onde ficam as amígdalas. Esse é o tipo de tumor mais comum entre os cânceres de faringe, que também podem atingir a nasofaringe (parte superior, localizada atrás do nariz) e a hipofaringe (lado inferior). Este órgão, localizado na garganta, é o ponto de encontro do sistema respiratório e do digestivo, pois faz a ligação do nariz e da boca com a laringe e o esôfago.


O tabagismo é associado a boa parte dos diagnósticos do câncer de orofaringe, principalmente a partir dos 60 anos. Porém, se observa cada vez mais um número de pacientes abaixo dos 50 anos, por causa da infecção ao HPV.


Como surgiu a vacina contra o HPV – e como ela pode ajudar a combater o câncer

A primeira vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) terminou de ser desenvolvida em 2006 e hoje é indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que seja incluída no plano de imunização de todos os países. Todas as vacinas oferecem proteção contra os tipos 16 e 18 do HPV, que estão associados a mais de 70% dos casos de câncer de colo de útero; já a do tipo quadrivalente também resguardam do surgimento de verrugas causadas principalmente pelos tipos 6 e 11.


A aplicação da vacina contra o HPV se iniciou no Brasil após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 2014, o Ministério da Saúde começou a ministrar doses de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em meninas de 9 a 13 anos. Posteriormente, as garotas de 14 anos também foram incluídas no esquema vacinal, assim como os meninos de 11 a 14 anos. Mulheres imunossuprimidas de 9 a 45 anos (que tem o sistema imunológico fragilizado por causa de alguma condição) e homens imunossuprimidos de 9 a 26 anos também podem se vacinar gratuitamente.


Mesmo após a vacinação contra o HPV é importante utilizar preservativos em todas as relações sexuais, inclusive a oral. Essa medida pode ajudar na prevenção de outros tipos desse vírus e das demais doenças sexualmente transmissíveis.

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