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Laringectomia parcial no câncer de tireoide: uma alternativa que pode preservar a voz e a qualidade de vida

  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

Em cerca de 10% dos casos, o paciente com câncer de tireoide chega ao especialista já com a doença localmente avançada, com risco de o tumor invadir estruturas vizinhas. Embora rara, a invasão da laringe, quando acontece, é uma das situações mais desafiadoras para o cirurgião, pois a cirurgia necessária para tratá-la pode comprometer funções essenciais como falar, engolir e respirar.


Dr. Luiz Paulo Kowalski

Um estudo publicado na Head & Neck, em agosto de 2025, traz uma contribuição importante para o tratamento cirúrgico do câncer de tireoide localmente avançado. O artigo, intitulado "Partial Laryngectomy for Thyroid Cancer: A Single Institution Case Series with Operative Techniques", descreve a experiência do MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos, com cinco pacientes submetidos à laringectomia parcial, uma técnica que permite remover o tumor com preservação de parte da laringe.

 

A glândula tireoide está localizada na parte anterior do pescoço, em estreita relação com a laringe, o órgão responsável pela voz e pela proteção das vias aéreas durante a deglutição. Em cerca de 10% dos casos, o paciente com câncer de tireoide chega ao especialista já com a doença localmente avançada, com risco de o tumor invadir estruturas vizinhas. Embora rara, a invasão da laringe, quando acontece, é uma das situações mais desafiadoras para o cirurgião, pois a cirurgia necessária para tratá-la pode comprometer funções essenciais como falar, engolir e respirar.

 

Nesse contexto, a primeira preocupação do cirurgião é garantir a remoção completa do tumor. A forma como essa remoção é realizada tem impacto direto na qualidade de vida do paciente. Historicamente, casos mais complexos de invasão podiam exigir a retirada completa da laringe (laringectomia total). Esse tipo de cirurgia implica a perda definitiva da voz natural e a necessidade de respiração por uma abertura permanente no pescoço, chamada traqueostomia.

 

O artigo apresenta uma série de cinco pacientes, sendo quatro com doença recorrente e um com tumor primário. Todos apresentavam invasão da cartilagem da laringe pelo câncer de tireoide. Eles foram tratados com laringectomia parcial, ou seja, com a remoção apenas da porção da laringe comprometida pelo tumor, preservando o restante do órgão.

 

Trata-se da maior série publicada até o momento sobre esse tema. Até então, apenas nove casos isolados tinham sido descritos na literatura médica, e a maioria desses pacientes havia necessitado de traqueostomia temporária. Isso não ocorreu em nenhum dos casos do estudo em questão.

 

Os resultados apresentados são bastante favoráveis. Os cinco pacientes foram submetidos à ressecção cirúrgica completa do tumor, sem complicações no período pós-operatório. Os pacientes não tiveram problemas de fala ou dificuldade de deglutição relacionados ao procedimento. Com um acompanhamento médio de 26 meses, três pacientes permaneceram sem evidência de doença. Apenas um apresentou recidiva na laringe, e outro desenvolveu progressão à distância devido a sua condição clínica de base, uma síndrome hematológica grave.

 

Dois pacientes receberam iodo radioativo após a cirurgia, como complemento do tratamento. Nenhum necessitou de radioterapia ou terapia sistêmica nos dois anos após o procedimento cirúrgico.

 

Do ponto de vista técnico, o estudo também detalha a abordagem cirúrgica utilizada. A ressecção foi feita com preservação cuidadosa da mucosa laríngea e faríngea. Vale ressaltar que no câncer de tireoide, a invasão laríngea geralmente progride a partir da face externa da cartilagem. Já no câncer primário da laringe, o tumor costuma comprometer a mucosa interna com maior frequência.

 

A remoção da cartilagem foi feita com instrumental de alta precisão, e a área operada foi recoberta com retalhos musculares locais, porções de músculos do próprio pescoço que foram deslocados para reforçar e proteger a região.

 

O estudo também deixa claro que a laringectomia parcial tem indicações precisas. Ela é viável quando menos de 50% da estrutura da laringe está comprometida, quando a mucosa interna está preservada e quando não há paralisia da corda vocal do lado oposto ao tumor. Apenas nesses casos selecionados, a técnica apresenta vantagem funcional em relação à retirada total da laringe.

 

O Prof. Dr. Luiz Paulo Kowalski, especialista em cirurgia oncológica de cabeça e pescoço, destaca a importância desse trabalho: "A preservação parcial da laringe e, consequentemente, da voz e da capacidade de engolir normalmente, é um dos objetivos centrais do tratamento cirúrgico do câncer de tireoide localmente avançado. Este estudo demonstra, com resultados concretos, que a laringectomia parcial é uma opção segura e eficaz para alguns pacientes, evitando o impacto funcional da laringectomia total."

 

O estudo reforça que o planejamento cirúrgico individualizado, com base em exames de imagem e na avaliação da extensão da doença, é fundamental para definir a melhor estratégia. Pacientes com invasão laríngea limitada, sem comprometimento extenso da cartilagem cricoide (cartilagem em formato de anel, localizada na porção inferior da laringe) ou da mucosa interna, são os candidatos ideais a essa abordagem.

 

"O que este trabalho nos ensina é que, com técnica adequada e seleção correta dos pacientes, é possível remover completamente o tumor e, ao mesmo tempo, preservar funções que são centrais para a qualidade de vida", acrescenta Dr. Kowalski. "Isso representa um avanço real na forma como tratamos esses casos."

 

Para pacientes com esse diagnóstico, a avaliação por um cirurgião experiente em cirurgia de cabeça e pescoço é essencial para determinar se a laringectomia parcial é indicada. O tratamento é multidisciplinar, envolvendo cirurgia, endocrinologia, medicina nuclear e outros especialistas.

 

Referência bibliográfica

 

Hawes EE, Banuchi VE, Maniakas A, Wang JR, Graham PH, Diersing JD, et al. Partial laryngectomy for thyroid cancer: a single institution case series with operative techniques. Head Neck. 2025 Aug 1;48(2):E20–E24. doi: 10.1002/hed.28246.

 

 

Disponível em:

 


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