top of page
Jornais

Notícias

Mesmo com a tecnologia, o exame físico deve continuar soberano durante a consulta médica

há 21 horas
3 min de leitura

A questão é que não podemos esquecer que o exame físico do paciente é essencial. O desafio, sobretudo para as novas gerações que iniciam a formação em um ambiente altamente tecnológico, é valorizar e não perder a capacidade de enxergar os sinais que o corpo dá antes mesmo da prescrição de exames.


Dr. Luiz Paulo Kowalski

Cada vez mais a tecnologia ganha espaço na medicina. No diagnóstico, exames de imagem entregam alta resolução e sequenciamentos genéticos oferecem informações cada vez mais complexas e valiosas sobre o paciente. Tudo isso é revolucionário e traz benefícios para todas as especialidades médicas, incluindo a de cabeça e pescoço.


A questão é que não podemos esquecer que o exame físico do paciente é essencial. O desafio, sobretudo para as novas gerações que iniciam a formação em um ambiente altamente tecnológico, é valorizar e não perder a capacidade de enxergar os sinais que o corpo dá antes mesmo da prescrição de exames.


O estudo de revisão Head and Neck Clinical Signs Associated With Diseases: A Scoping Review, publicado na revista científica Special Care in Dentistry, aborda esse tema na especialidade de cabeça e pescoço e nos convida a refletir. O time de pesquisadores do qual faço parte mapeou 43 sinais clínicos e os agrupou em cinco categorias: oculares, cutâneos, intraorais, auriculares e outros. Esses sinais são indicadores de doenças que acontecem em outras partes do organismo e que não devem ser ignoradas.


Olhar treinado do médico durante o exame físico faz diferença


Organizamos os achados por regiões anatômicas e constatamos o quanto nossa fisionomia está interligada com os sistemas internos. Alguns sinais são mais comuns no dia a dia do especialista em cabeça e pescoço, mas outros são mais raros, e é justamente nesses casos que o olhar treinado do médico faz diferença. Um exemplo são as manchas acastanhadas na pele que, a depender do desenho da borda, podem sugerir neurofibromatose tipo 1 (contornos regulares) ou síndrome de McCune-Albright (contornos irregulares).


Há também sinais menos conhecidos no cotidiano dos consultórios, como um discreto depósito de cobre na borda da córnea, indício clássico da doença de Wilson, ou uma simples prega diagonal no lóbulo da orelha, fácil de passar despercebida, mas que, de acordo com a literatura científica, pode estar associada a maior risco cardiovascular.


Na cavidade oral, sinais na língua ou no palato também podem indicar quadros infecciosos ou inflamatórios. É o caso da chamada “língua em morango”, com aspecto avermelhado e papilas bem salientes, alteração comum na doença de Kawasaki em crianças. Já a presença de feridas recorrentes na mucosa bucal pode ser sinal de distúrbios autoimunes, como a doença de Behçet.


Sinais que se confundem entre si


É importante destacar que a maioria desses sinais se sobrepõe: um eritema na face pode indicar lúpus, mas também pode ser confundido com rosácea; uma úlcera na boca pode ser sinal de Behçet ou apenas uma estomatite comum. Por isso, a interpretação médica deve sempre acontecer dentro de um contexto, avaliando também o histórico do paciente, o tempo de evolução e o conjunto dos sintomas. Quanto mais cuidadosa for essa avaliação, maiores as chances de se chegar ao diagnóstico correto.


Não é suficiente decorar uma lista de sintomas. Muito mais do que isso, a comunidade médica precisa resgatar a importância do exame físico na consulta de rotina, um desafio diante de um cenário em que a medicina está cada vez mais dependente de telas e exames, em detrimento do olhar, da escuta e do exame físico.


Ao longo dos anos de consulta, aprendi que muitos diagnósticos começam bem antes de qualquer exame de imagem, a partir de um olhar atento ao paciente. A tecnologia vai continuar avançando, e isso é bom porque ela nos dá exames cada vez mais precisos para confirmar uma hipótese. Mas, antes disso, é preciso saber onde procurar.


E essa é a contribuição insubstituível do exame físico: uma via diagnóstica acessível, de baixo custo e sempre à disposição do médico.

 

Referência do Artigo:

Cotter HM, Dutra MJ, Rabelo GD, Ribeiro ACP, Lopes MA, Diniz-Freitas M, Kowalski LP, et al. Head and Neck Clinical Signs Associated with Diseases: A Scoping Review. Special Care in Dentistry, 2026.


 


LOCALIZAÇÃO

(11) 3284-4483 / 3284-7336

Whatsapp: (11) 97097-1687

 

R. Maestro Cardim, 377 - conj. 85 - Bela Vista

São Paulo/SP 

 

contato@clinicakowalski.com.br

  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle
  • LinkedIn - Círculo Branco

Responsável Técnico: Dr. Luiz Paulo Kowalski - CRM/SP 36404  / RQE 56910
Copyright 2019 © Clínica Kowalski  -   Todos os direitos reservados

bottom of page