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O papel da enfermagem no tratamento e acompanhamento do paciente com câncer de cabeça e pescoço

Uma especialidade fundamental para o tratamento do paciente com câncer é a enfermagem. Para explicar melhor como a enfermagem atua no tratamento oncológico, conversamos com a enfermeira oncológica e estomaterapeuta Renata Otoni Neiva, do A.C.Camargo Cancer Center, especializada em casos de câncer de cabeça e pescoço. Confira como é esse trabalho e como ele contribui em toda a jornada do paciente.


A partir de qual momento se inicia o contato da enfermagem com o paciente de câncer?

Renata Otoni Neiva: O cuidado é inerente à enfermagem. Desde o primeiro momento em que ele se faz necessário na jornada do paciente, a enfermagem está presente: desde a assistência durante a realização de exames diagnósticos; na orientação para candidatos a cirurgias que necessitam de estomias (procedimento cirúrgico que faz uma abertura de um orgão do corpo para o meio externo, por exemplo, no sistema respiratório, digestório ou urinário); no centro cirúrgico e no pós-operatório prestando cuidados gerais, com os curativos, sondas e cateteres; e no ensino do autocuidado para garantir ao paciente autonomia no seu processo de reabilitação.

A enfermagem também atua na gestão: desenvolve e institui protocolos e processos assistenciais, de segurança e qualidade, na pesquisa e no ensino.


Quais são os principais pontos de atuação desse profissional no tratamento do paciente?

Renata Otoni Neiva: A atuação da enfermagem passa por todas as fases do tratamento oncológico.


Para a realização de uma cirurgia, a consulta de enfermagem pré-operatória estabelece o primeiro vínculo com o paciente e familiares, um momento em que se busca entender contexto social desse paciente, a rede de apoio familiar e quais as dificuldades que podem interferir na sua recuperação, para que possa fornecer informações relevantes ao seu autocuidado relacionadas ao tipo de cirurgia que será realizada. Depois do procedimento, as orientações e cuidados focam na recuperação e readaptação do paciente diante das suas novas condições de saúde.


Durante a radioterapia, a enfermagem atua com os pacientes principalmente nas alterações relacionadas a pele, como prevenção, inspeção e tratamento das queimaduras que podem ocorrer durante este tipo de tratamento.


No tratamento quimioterápico, o enfermeiro é capacitado para a passagem e manutenção da viabilidade de cateter venoso central e cateter venoso periférico (dispositivos utilizados para inserir o medicamento na corrente sanguínea), garantindo a segurança na administração dos quimioterápicos prescritos pelo médico oncologista, além de identificar e intervir caso ocorra algum evento adverso relacionado ao tratamento.


Em relação ao câncer de cabeça e pescoço, há cuidados especiais que o enfermeiro pode ter para esse tipo de paciente?

Renata Otoni Neiva: Sim, muitos. O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode ocasionar sequelas estéticas e alterações funcionais muito significativas para estes pacientes, que impactam diretamente na sua autoestima e na qualidade de vida.


Em casos de câncer avançados, as cirurgias realizadas são de grande porte. Nestas situações, a alimentação do paciente pode ser realizada por uma sonda e para a respiração pode ser utilizada a cânula de traqueostomia (tubo que ajuda para a entrada de oxigênio na respiração), pois estas funções ficam comprometidas pelo procedimento. Antes da cirurgia, a enfermeira explica para o paciente e familiares a importância de uma limpeza da cavidade oral no pós-operatório, sobre a indicação da sonda para alimentação, e como estes dispositivos podem ser disponibilizados para uso do paciente, sempre respeitando sua individualidade, aceitação e tempo de entendimento.


Após a cirurgia e alta hospitalar, o acompanhamento do paciente é no ambiente ambulatorial. A enfermeira realiza as trocas das cânulas de traqueostomia e curativos para otimizar a cicatrização de feridas quando presentes, além de orientar sobre cuidados domiciliares, necessários com estes dispositivos, que passam a ser transferidos gradativamente para o paciente e cuidador, reforçando sua participação ativa neste processo.


Além disso, cirurgias reparadoras que exigem cuidados muito específicos podem ser necessárias. A atuação de uma enfermagem especializada é primordial para atuar junto com a equipe multiprofissional na identificação precoce de complicações relacionadas a estes procedimentos, para garantir uma assistência segura e livre de possíveis danos colaterais.


Quais foram os avanços observados nessa especialidade no acompanhamento e tratamento do paciente oncológico?

Renata Otoni Neiva: As especializações na enfermagem, com mais acesso a informação e tecnologia no desenvolvimento dos curativos e produtos são grandes avanços. Temos enfermeiros estomaterapeutas, navegadores e oncologistas, por exemplo, que atuam nas diversas etapas do tratamento oncológico e contribuem para melhores desfechos.


Um grande avanço identificado recentemente foi o resultado de um protocolo de descolonização realizado no A.C.Camargo Cancer Center, na prevenção de infecção de sítio cirúrgico (infecção que ocorre no local do procedimento cirúrgico). Infelizmente este tipo de infecção é frequente no pós-operatório de cirurgias de grande porte em cabeça e pescoço, o que torna sua prevenção um desafio mundial, pois são múltiplos os fatores que interferem na sua ocorrência.


Este protocolo é prescrito pelo médico cirurgião e a enfermeira entrega os produtos ao paciente durante a consulta pré-operatória e orienta sobre o uso. O procedimento consiste em aplicar produtos na pele e na mucosa antes das cirurgias de grande porte para diminuir a quantidade de microrganismos. . Identificamos que estes cuidados de fato diminuem os casos de infecção de sítio cirúrgico e também o tempo de internação hospitalar, reduzindo complicações e riscos.



Fonte:

Renata Otoni Neiva, enfermeira estomaterapeuta do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do A.C.Camargo Cancer Center


Tese mestrado: Descolonização pré operatória pode reduzir a taxa de infecção de sítio cirúrgico em pacientes submetidos a cirurgia de grande porte em cabeça e pescoço? – Renata Otoni Neiva, Hugo Kohler Fontan, Genival Barbosa de Carvalho.

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